Covid-19: Infectologista infantil esclarece sobre o novo coronavírus em crianças

Risco de contaminação é maior, porque crianças são grandes vetores da gripe.

Durante live transmitida pelas redes sociais da Prefeitura de Marabá, na tarde desta segunda-feira (13), a médica infectologista infantil Cláudia Dizioli Franco Bueno, que atende no CEI (Centro de Especialidades Integradas), defendeu a permanência de suspensão das aulas, tanto na rede pública quanto particular, uma vez que, as crianças podem ser transmissoras em potencial do novo coronavírus, sendo que muitas delas também podem ser assintomáticas à Covid-19. A médica alertou quanto à necessidade do uso de máscaras em crianças e discorreu sobre as principais dúvidas do coronavírus nos pequenos, como também respondeu aos questionamentos de internautas. A live também está disponível no Youtube.

A princípio, Cláudia Dizioli, pontua que na literatura as informações a respeito da covid-19 são muito novas, entretanto, nas crianças o novo coronavírus (SARS-CoV-2) se manifesta de forma menos grave. “Hoje uma pequena porcentagem de crianças foi atingida pelo coronavírus, 1 ou 2%, e ainda uma quantidade menor ainda necessitou de internação ou algum suporte hospitalar. Existe risco sim, como toda doença, mas nas crianças é aparentemente menor em quadros graves, como temos visto nos adultos”, detalha.

Atualmente, o Ministério da Saúde mudou os grupos de risco incluindo puérperas e gestantes, e crianças de até um ano, embora não sejam grupo de risco, estão reclassificadas com cuidados maiores. Logo, bebês de um ano com qualquer quadro viral, podem reagir de uma maneira mais grave. “Porque é uma época que a criança está construindo a imunidade, não tem muitas defesas no organismo, quer seja covid-19 ou qualquer quadro gripal, podem reagir mal, acabam classificando como grupo relativo”, assinala a infectologista infantil.

Quanto às crianças que são assintomáticas, trata-se de vetores em potencial da doença, transmitindo para pessoas dos grupos de risco como idosos e doentes crônicos. “A criança troca muito saliva, beija, abraça, põe a mão na outra, toca nos objetos, a transmissão acaba sendo maior. A gente vê isso nas creches, como as crianças pegam doenças nas primeiras vezes que vão à escolinha”, ressalta Cláudia Dizioli.

Claudia Dizioli, pediatra e infectologista infantil

Volta às aulas

Para a médica, por enquanto, as aulas têm de estar suspensas porque as crianças, mesmo assintomáticas podem passar para os adultos, idosos, gestantes e assim sucessivamente. Segundo a infectologista infantil, durante as aulas o acúmulo de crianças  é muito grande  no mesmo ambiente,   portanto o risco de causar contaminação é enorme.

Sintomas

Os sintomas da Covid-19 nas crianças são semelhantes aos dos adultos, porém se manifestam de forma mais amena, caso a criança não seja portadora de uma doença de base. Os sintomas são tosse, febre, nariz escorrendo, problemas na respiração, diarreia, dor na barriga, vômito, desidratação, pode ser associado a um quadro intestinal também.

A médica esclarece que a grande dificuldade da Covid-19 nas crianças é discernir se é o novo coronavírus ou uma síndrome gripal. “Por isso que a gente pede para as crianças ficarem em casa”, apela, acrescentando que haverá vacinação da gripe (H1N1) para crianças até 6 anos, iniciando a partir de 9 de maio. Se a criança estiver vacinada e apresentar um quadro gripal, pode ser covid-19.  No entanto, há um grande concorrente chamado rinovírus, que causa resfriados nos pequenos, todavia os sintomas são  mais leves que a gripe”, explicita.

Quando deve-se procurar um médico?

Quando a criança começa a ter febre prolongada, a partir do 3º dia já é uma febre recorrente, falta de ar, cansaço no peito, tosse intensa a ponto de não se alimentar, não conseguir dormir, ou seja, que  para cause incapacidade para a criança. Isso tudo é sinal para o médico examinar.

Máscara

A médica destaca o uso de máscaras também em crianças. “A gente vê em lojas, supermercados, aeroporto e outros lugares adultos de máscaras, mas em crianças não usam. Exceto bebês que arrancam a máscara, mas os que já têm consciência os pais devem orientar e colocar máscaras”, alerta.

Quanto às medicações, ela afirmou que cada caso é um caso, e não poderia prescrever para todos. Todavia, o tratamento sintomático pode se fazer uso de um xarope,  e outros medicamentos ajudam que amenizam os sintomas para passar melhor por isso, como minimizar a tosse, diminuir catarro e febre. Não há remédio específico e nada comprovado cientificamente, alguns estudos relatando a proibição da medicação ibuprofeno, mas não há nada comprovado, “pode dá ibuprofeno para crianças”.

Imunidade

Perguntada sobre como aumentar a imunidade, a médica respondeu que não há remédios específicos, mas a criança deve se alimentar direito com vegetais, frutas, pelo menos uma ou duas frutas por dia, ter uma alimentação mais natural dentro do possível, evitar industrializados, crianças de até 2 anos devem ser suplementadas de vitaminas D. A despeito desse assunto, Cláudia assegurou que o melhor horário para as crianças tomarem sol é de 11 às 15 h, no entanto, devido ao forte calor marabaense, ela reitera a suplementação oral da vitamina D e sulfato ferroso, como recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria. Até 5 anos tem de tomar vitamina A. Crianças maiores evitar exposição com pessoas doentes, além da atividade física,  esses e outros cuidados melhoram muito a imunidade.

“É muito difícil quem tem filho deixar a criança em casa preso sem ver a luz do sol, mas pode dá uma passadinha mantendo o distanciamento no caso do condomínio ou área, ou quintal de casa, não é recomendável utilizar um playground com várias crianças”, destaca. De acordo com a infectologista infantil, o novo coronavírus atualmente não acomete a mesma pessoa novamente, não se sabe se dá uma imunidade prolongada, mas ela é transitória. As crianças com problemas pulmonares têm um risco maior de contrair a covid-19 e ser um quadro mais grave, reiterando que pessoas alérgicas, tendo rinite e sinusite não estão dentro do grupo de risco.

Instada sobre as gestantes, a médica respondeu que elas não transmitem o coronavírus para o bebê, inclusive as mamães devem dar o leite materno, pois contém anticorpos, já existe estudos que comprovam que o leite materno pode proteger o bebê quando a mãe tem o COVID-19. A recomendação é que as mães com suspeita de estarem com o novo coronavírus devem usar máscaras e tomar todas as medidas de higiene na hora da amamentação. As grávidas que contraíram não obtiveram risco grave. Por fim, quanto aos animais de estimação, eles não transmitem a covid-19.

A infectologista Cláudia Dizioli finalizou a live com orientações gerais de higiene, como lavar às mãos constantemente, usar álcool 70, manter o distanciamento, além de recomendar a ficar em casa.

Texto: Emilly Coelho 

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