Cultura: 1ª Festa Literária movimenta mais de 70 mil pessoas e 1 milhão de reais em vendas

A 1ª Festa Literária de Marabá chegou ao fim neste domingo (29) com a presença da grande homenageada da 23ª Feira Pan-amazônica, Zélia Amador. Ao todo, foram movimentados em torno de 1 milhão de reais durante os nove dias do evento, que contou com a visita de mais de 70 mil pessoas e gerou em torno de 200 empregos.

A noite de encerramento começou com uma roda de conversa com a professora de artes da UFPA, doutora em Antropologia e co-fundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará, Zélia Amador. A escritora debateu sobre a situação dos negros no país atual e sobre a cultura negra. “Estou muito honrada de estar na feira em Marabá, a roda de conversa foi ótima, as pessoas participaram. Bom saber que pensamos iguais”, comenta Zélia.

O secretario de Cultura, José Scherer, destacou a tranquilidade com o qual a feira se deu e a importância de ter um evento como esse na cidade. “O público veio, tivemos estudantes, shows, comercialização de livros. É importante voltar a induzir o hábito da leitura nas pessoas. Não tivemos nenhuma intercorrência. Editores e comerciantes estão satisfeitos. Só temos que agradecer a população de Marabá e municípios vizinhos que apresentaram sua cultura e arte”, destaca.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed), em parceria com a Secretaria de Cultura (Secult), levou mais de 6 mil estudantes da rede municipal e estadual a visitar a Feira. “Momento ímpar para os jovens. A maioria não conhecia sequer o Centro de Convenções. É um momento importante para nossa juventude ter esse contato com a cultura”, sublinha Scherer.

A pequena Sophia Menezes, 10 anos, concorda o com o secretário. A menina comprou vários livros para pintar, colorir, ler e saiu com um sorriso no rosto. “É muito importante para nós crianças conseguirmos aprender a ler mais rápido, conviver com os livros ao nosso redor, muito aprendizado. Esse ano comprei ‘O diário de um Banana’, gosto muito de ler, principalmente comédia”, conta.

Foram mais de 25 mil títulos disponíveis para compra durante a Feira, representando mais de 100 editoras. A estudante de Letras-inglês, Letícia Fonseca, ficou satisfeita com a variedade apresentada. “Livros muito ricos. Literatura brasileira, literatura estrangeira, vi livros em inglês sendo comercializados. Como estudante de letras, considero isso muito importante. Também tivemos literatura regional. Aqui não temos muita opções de livrarias, então é a oportunidade que temos para conseguir os livros e ver as discussões culturais atuais”, conta a estudante que saiu com cinco novos livros da feira.

Lançamentos de livros

O estande Escritores Regionais foi um dos mais movimentados da Festa Literária. Todo dia foram lançados diferentes livros de escritores do sul e sudeste do Pará. Na última noite foi a vez da escritora, Maria da Conceição Silva Rodrigues, que lançou o livro “Educar, Assistir, Moralizar”. O livro conta a história de uma Associação de mulheres que se reúnem para fazer coisas ditas do universo feminino e de repente se pegam envolvidas em ações de políticas públicas.

“É imprescindível que ações com essa se perpetuem em espaços do interior que costumam ser relegados. Dá uma oportunidade nova para as pessoas, uma festa literária que é uma outra dinâmica e que realmente estamos precisando nesse país. Que as pessoas leiam, estudam, interajam, principalmente diante dos ataques à educação e retrocesso ao mundo da leitura pelo qual o país vem passando”, opina.

O escritor marabaense, Abílio Pacheco, que lançou o livro “Jaçana” durante a feira, também destaca a importância da ação para os escritores locais. “A existência da Festa literária é imprescindível para os escritores da região mostrarem seu trabalho e terem um contato com o público. Para que as pessoas conheçam quem escreve e faz cultura nessa cidade”, conclui.

Após a homenagem à Zélia Amador, foi realizada uma apresentação do Estúdio de Dança Flávio Fernandes. O último ato da 1ª Festa Literária de Marabá se deu com a cantora Lanara Moreira, que interpretou várias músicas do rock nacional e MPB e levantou o público que compareceu ao Auditório Multivozes do Centro de Convenções.

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Hilton Rodrigues

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