Dia do Gari: Valor e reconhecimento àqueles que são o coração da cidade

Como é bom ver uma cidade limpinha, não é mesmo?! O recolhimento regular do lixo, a limpeza de praças, das feiras, ruas, espaços públicos em geral, é algo que agrada a qualquer cidadão e garante bem-estar. Mas tudo isso, só é possível porque existem os agentes da limpeza pública, os garis, pessoas que dedicam boa parte de suas vidas a esse serviço essencial.  Uma profissão que surgiu no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em 1876 e que é lembrada em todo o país, no dia 16 de Maio.

Maria Aparecida Fernandes da Silva, a Cida, completa 47 anos de idade, no mesmo dia em que a profissão é comemorada. Coincidência que a enche de alegria. A Cida faz parte da equipe de limpeza pública de Marabá há 2 anos, seguindo uma rotina intensa diariamente na varrição das ruas, na feira da Folha 28, Nova Marabá. Um trabalho que, aos fins de semana, se intensifica por conta do aumento da movimentação comercial. É quando todos vão embora que a equipe entra em ação para deixar tudo organizado e limpo outra vez.

“É muito corrido, mas nossa equipe dá conta do serviço”, conta a gari que, mesmo observando a discriminação por parte de algumas pessoas,  demonstra orgulho em realizar a atividade, que ajuda no sustento dos seis filhos e da mãe idosa.

“É uma profissão pouco valorizada. A gente tem muito trabalho, mas não é um trabalho que é aplaudido. A gente adoece, se recupera, volta a trabalhar e as pessoas não observam a gente. Mas eu trabalho contente. O que vale é nossa dignidade. Somos batalhadores. Eu dou valor ao nosso serviço, amo o meu trabalho”, enfatiza.

Maria Aparecida, a Cida

Quando Cida encerra o expediente na Folha 28, o Ezequiel Vieira inicia o dele. O chefe de família trabalha há três anos, no periodo noturno, na coleta de resíduos.Todas as noites, de segunda a sábado, se junta a outros quatro colegas para fazer a rota no mesmo bairro.

O “Izaque”, como é conhecido, conta que se tornou gari, após ficar desempregado na construção civil. Acabou sendo uma oportunidade de fazer parte da equipe de batalhadores, que todos os dias, têm a importante missão de deixar a cidade limpa. Ao falar do presente e do futuro, ele revela os desejos mais comuns desta classe, escondida por trás do uniforme laranja.

“Eu tenho o sonho de comprar uma casa. Ter a minha casa própria. Eu vou me preparar para dirigir, ser motorista. A nossa rotina é muito cansativa. Pouco reconhecida. A gente faz o melhor serviço da cidade, mas as pessoas não reconhecem, têm muita gente que sente nojo de nós”, ressalta o trabalhador.

Ezequiel Vieira, o Izaque

Mas pelo caminho, os garis da cidade também encontram o respeito em muitas pessoas e, em alguns casos, admiradores fiéis, como a família do menino David, de 7 anos, ex-morador da Velha Marabá que atualmente reside no bairo Cidade Jardim . No ano passado, durante uma entrevista para a Prefeitura, David declarou sua admiração pelo trabalho dos profissionais. Aos “parceiros”, o tratamento dado por David aos agentes da limpeza, era comum uma recepção com água, lanche e, às vezes, até uma ajudinha, ao jogar o lixo de casa no caminhão. No entanto, o mais importante, é que os pais aproveitaram a oportunidade para ensinar ao menino o respeito pelo trabalho dos garis e a consciência em acondicionar o lixo da maneira correta.

“A gente é muito grato pela importância do trabalho deles. A gente educa o David a não jogar lixo na rua. Quando quebra alguma coisa em casa, a gente toma o maior cuidado porque sabemos que alguém vai manusear aquilo ali, pode se cortar, se furar. A gente tem que educar nossos filhos não só para reconhecer o valor da profissão, mas pra ser um cidadão melhor”, frisa a professora Carmélia Farias, mãe do David.

Atualmente, Marabá conta com cerca de 600 colaboradores atuando diretamente na limpeza pública do município. A todos eles, a Prefeitura agradece o trabalho feito com afinco.

Arquivo pessoal
Arquivo PMM

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Secom PMM

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