Educação: CAP faz a diferença na vida de 80 deficientes visuais

No Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP) a vida se torna um pouco mais fácil para 80 pessoas com deficiência visual. Lá os cegos e as pessoas com baixa visão são preparados para lidar com as limitações sem perder a autoestima e a capacidade de sonhar.

Tem sido assim com o menino Francisco Cris Silva, de apenas 11 anos. Devido a uma queda que atingiu a cabeça, ele começou a perder a visão. Ao chegar ao CAP a perda ainda era parcial, mas quando ficou cego foi no centro que ele teve o apoio para seguir adiante. “Eu cheguei aqui ainda enxergava, daí fui crescendo, crescendo e fiquei cego. O CAP foi me ajudando, eu gosto de ler braille, de Educação Física, aqui tenho toda a atenção. Sou feliz,” observou.

Durante e após a fase de aceitação, Francisco passou a ter atividades para garantir a mobilidade, alfabetização e atualmente recebe o apoio pedagógico para domínio do braille e também nas adaptações de atividades da escola comum.  A autoestima do aluno do 4º ano do ensino fundamental é refletida no sonho que busca realizar: ser um jogador de futebol. “Eu jogo bola aqui no CAP, vou ser um jogador de futebol”, afirma Francisco.

A professora Alessandra de Oliveira, acompanha Francisco há sete anos e conhece bem a evolução do aluno. “Aqui no CAP ele já está alfabetizado, ele ler e escreve em braille. Tem aula de soroban [uma espécie de calculadora para deficientes visuais], aula de orientação e mobilidade e temos tido retorno bem significante”, enfatiza a professora.

Francisco está entre os 63 alunos do CAP que estudam em escolas da rede municipal de ensino. Os outros 17 são alunos do ensino médio, escolas privadas e ainda da comunidade em geral.

Mirian Pereira, coordenadora pedagógica do CAP, explica que a condição para ser atendido no centro é apenas a deficiência visual. Assim, a instituição mantida pela Prefeitura de Marabá se tornou um centro de referência na região, inclusive recebendo alunos de Itupiranga, Nova Ipixuna e outros municípios próximos. “É um centro voltado para atendimento especializado ao deficiente visual e presta todo suporte para as escolas do ensino comum que vivenciam a presença de aluno com deficiência visual, além de formação para professores, por isso, se tornou uma referência”, destaca.

O CAP atende alunos de várias idades, até mesmo bebês. Para isso, conta com uma estrutura composta de uma sala de AVD (Atividades para Vida Diária), salas de estimulação precoce, de matemática, voltada para o soroban, sala de braille e um centro de produção de materiais destinados para orientação de mobilidade de alunos com baixa visão. O local tem ainda uma biblioteca com livros de várias áreas do conhecimento. Além disso, os alunos recebem apoio em disciplinas como português, ciências, língua estrangeira, dentre outras.

“O CAP assume um papel diferenciado nas questões educacionais porque permite que ele construa o conhecimento, a autonomia e para além disso, atende as demandas sociais porque esses alunos passam por uma vulnerabilidade social que afeta muito. E o CAP tem dado essa assistência, do emocional, perspectiva de vida, acesso as informações e isso tem resultado em conquistas, como a chegada no curso superior, escritores de livros, atletas”, ressalta Mirian.

Em novembro, o CAP completa 15 anos de existência e os funcionários já estão com programações comemorativas. Dentre elas, o projeto “CAP na escola”, voltado para a apresentação das atividades desenvolvidas com os alunos do centro nas escolas onde estudam.

As matriculas no CAP podem ser feitas o ano inteiro por alunos de qualquer idade com deficiência visual congênita ou adquirida. Não há limites de vagas. O CAP está localizado na Agrópolis do Incra, no bairro Amapá, no núcleo Cidade Nova.

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Paulo Sérgio dos Santos 

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