Educação: Escola oferece música, xadrez, ordem unida e ballet na periferia de Marabá

A implantação da ordem unida, por exemplo, tem servido para disciplinar os alunos quanto à participação em todas as outras atividades

Em pouco mais de um ano de existência, o novo prédio da Escola Cristo Rei, no Bairro Jardim União, tornou-se uma outra casa para 789 alunos que estudam ali, no período da manhã e tarde. E a grande maioria dos pais celebra não apenas o novo espaço, mas o que ele oferece para seus filhos.

Além do currículo com aulas de qualidade em sala, os estudantes têm à disposição atividades extras que consideram envolventes, como música, ballet, ordem unida, xadrez e capoeira.

Quem chega cedinho, antes de o portão abrir, pode esperar o sinal tocar às 7h30 que os alunos vão entrar sem aquela algazarra que se vê em muitas escolas públicas. Isso se repete à tarde, também, e os professores vão receber seus alunos no portão e todos entram em uma fila que já se tornou tradição. A diretora, Gleide Borges Hartuique, aguarda no meio do pátio, ao lado do sub-comandante da Guarda Municipal, inspetor Wiliscley Leão. Alunos e professores prestam continência para eles e passam direto para a sala de aula.

Às terças e quintas-feiras há um momento cívico em que todos vão para a quadra coberta para participar de aula de ordem unidade, com apoio de uma equipe da GMM. Alunos do 1º ao 7º ano participam do treinamento e sabem que a coisa vale para todos, porque os professores e demais membros da gestão escolar também formam um pelotão paralelo, cantam o Hino Nacional, Hino de Marabá e treinam a ordem unida.

Além das aulas para cumprimento do currículo escolar, sempre há alunos participando dos cinco projetos educativos que têm dado uma guinada na qualidade do ensino na escola.

A ordem unida, por exemplo, tem servido para disciplinar os alunos quanto à participação em todas as outras atividades, e os professores só comemoram.

A diretora Gleide Hartuique lembra que, quando assumiu a gestão da escola, ainda no prédio anterior, havia a possibilidade de ela tornar-se um colégio militar quando o novo espaço ficasse pronto. Embora isso não tenha ocorrido, o secretário de Educação da época, Luciano Dias, abraçou a causa e entendeu que no bairro Jardim União a implantação de projetos socioeducativos seriam fundamentais para fortalecer a qualidade do ensino. Eles deram certo e foram intensificados na gestão da atual secretária de Educação, Marilza Leite.

Com a colaboração do professor Leonardo de Jesus, de Educação Física, Gleide implantou, inicialmente, o projeto de ordem unida. Ele contagiou estudantes e até mesmo os professores, que se envolveram e perceberam que, em pouco tempo, houve melhora significativa no comportamento e concentração dos estudantes. O Grupamento Tático da PM ajudou no início, mas depois a Guarda Municipal abraçou o projeto.

Com a parceria da GMM, a violência escolar desapareceu, os estudantes passaram a realizar também Hasteamento das Bandeiras, bater continência aos superiores como forma de honra, disciplina e cumprimento; ajudam a organizar o espaço escolar e zelar por ele; decoraram e colocam em prática o código de honra e conduta da escola; e zelam pelo patrimônio. Esse último item se comprova com o fato de que passados um ano e seis meses da inauguração da escola Cristo Rei e nenhuma parede está riscada.

Gleide crê que a disciplina militar tem muito a acrescentar no ambiente escolar e não vê nenhum colega educador levantar-se contra essa ideologia. Todos os educadores e demais profissionais estão seguros de que os alunos tiveram uma mudança de comportamento radical. Até mesmo no horário do recreio eles obedecem fila e não há corre-corre. “Antes, a gente tinha muitos problemas, mas agora o recreio é tranquilo e nossa escola vive tempos de paz”, reconhece a vice-diretora Edilene Ferreira.

Evaldo Lima está satisfeito com o método de educação dos filhos

Família na Escola

A nova gestão conseguiu, também, mudar a rotina das famílias dos alunos da Cristo Rei. Agora, eles são mais presentes e acompanham a rotina dos filhos. É o que atesta Fabíola de Almeida Chaves, mãe de três filhos matriculados na escola. Maria Luíza (6º ano); Pablo (3º ano) e Maria Eduarda (5º ano).

Fabíola mora no Jardim União e conta que Maria Eduarda estuda música no contra-turno e ela sempre vai deixar eles em na escola. “Esses projetos que vieram pra Cristo Rei são importantes para o desenvolvimento de nossas crianças. Minha filha aprendeu bastante, toca muito o instrumento em casa e a gente sente orgulho em ver os filhos se desenvolvendo desse jeito”.

Orgulho também é o que sente Evaldo Lima da Silva, pai de Nayully Pereira da Silva, 12 anos de idade, que toca flauta transversal no projeto “Canta e Toca Cristo Rei”. A menina está na Escola Cristo Rei desde o 1º ano do fundamental e não costuma faltar às aulas. Gostou tanto das aulas de música que evoluiu da flauta doce para a transversal e já pensa em aprender a tocar violino. “A escola tinha alguns instrumentos, a gente apoiou, ajudou e ela aprendeu muito com música aqui. É uma oportunidade importante e quero que ela cresça ainda mais. Esse projeto não é bom apenas para a escola, mas para o bairro. Muitos alunos, ao invés de ir pra rua depois das aulas, acabam voltando para a escola e aprendem coisas boas”, analisa Evaldo.

O inspetor Leão avalia que não se trata apenas de instrução de ordem unidade dos agentes da Guarda Municipal para os alunos. Ao longo do tempo foi criada uma relação de confiança e respeito mútuo e isso reflete na comunidade do Bairro Jardim União e adjacências, por exemplo. “Eles melhoraram a disciplina e coordenação motora, mas o aprimoramento do comportamento em sala de aula tem sido algo importante, como os professores e direção da escola relatam para nós”, argumenta Leão, observando que a cereja do bolo será a nota do próximo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), medida pelo Ministério da Educação a cada dois anos.

Projetos:

1)   Capoeira

A Escola Cristo Rei conta com o voluntariado de dois professores, o mestre de capoeira Valetim (ex-militar) e o professor de capoeira Lucas. São 80 alunos participantes deste projeto, que desenvolve o auto-desempenho e disciplina na escola, além do espírito de unidade, exatidão nas execuções, atenção e rapidez nos comandos, amizade e desejo de cooperação e zelo pelo espaço da escolar.

2)   Xadrez

O projeto nasceu da necessidade de envolver os alunos com déficit de aprendizagem na matemática e também na concentração das outras disciplinas. Foi firmada parceria com a enxadrista e árbitra Laura Araújo, que presta serviço voluntariado no espaço escolar. Conta com poucos alunos, pois o tempo disponível da professora é pequeno, mas já está surtindo efeitos positivo.  A aluna Yasmim foi a segunda colocada nos Jogos Estudantis Marabaenses  e vai representar o município em uma competição estadual, em Belém.

3)   Canta e toca Cristo Rei

Atualmente, 243 alunos participam das aulas teóricas e práticas de música na escola. Muitos alunos se sobressaíram e já tocam instrumentos musicais e acompanham o momento cívico e as ações sociais da escola em eventos internos e externos. Ele melhora a psicomotricidade e desperta a autoestima.

4)   Projeto Ballet

O Projeto Ballet envolve 320 alunas que participam de aulas de ballet clássico e contemporâneo para resgatar a autoestima, trabalhar a postura e disciplina, tendo como objetivos o momento de interação corpórea em todas as modalidades possíveis que a dança possibilita. São alunas de várias faixas etárias que participam de aulas de segunda a sexta-feira, nos turnos da manhã e tarde.

5)   Ordem Unida

O primeiro projeto implantado na Escola Cristo Rei envolve todos os 789 alunos. Ajudou a estabelecer hierarquias, zelar pelo patrimônio público e a praticar civismo. É realizado duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras.

 

Texto e Fotos: Ulisses Pompeu

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