Mês da mulher: A missão da Assistente Social dedicada a garantir os direitos dos idosos

Onete Feliz é coordenadora do Centro da Pessoa Idosa e luta há vários anos pela garantia dos direitos dos idosos em Marabá

Maria Onete Feliz, 63 anos, é uma daquelas mulheres que se pode chamar de polivalente e ainda gosta do que faz. Concursada na Prefeitura de Marabá, há 17 anos, a assistente social dedica sua vida a cuidar dos idosos. Atualmente, ela coordena o Centro Integrado das Pessoas Idosas de Marabá, o Cipiar, inaugurado há pouco mais de dois anos, mas a lida com os idosos iniciou ainda com o projeto Conviver, na Secretaria de Assistência Social (Seaspac).

“Já tinha trabalhado com crianças, com adolescentes, jovens, mulher, surdos, mudos, com crianças excepcionais da Apae, com várias patologias e quando cheguei em Marabá verifiquei que não era trabalhado suficiente os direitos dos idosos e como assistente social fiquei preocupada. Fizemos esse projeto com o apoio do prefeito”, revela Onete.

Desde então, a assistente social conta que se identificou com essa parcela da população e decidiu trabalhar em prol da garantia dos direitos dos idosos dentro da Seaspac, mas também fora dos âmbitos profissionais, como mulher cristã.

“Eu fui me encantando. Eu amo os idosos. Eu queria mostrar, eu queria dar dignidade, acolher esse morador de rua e dizer que aqui ele teria uma família, aqui ele teria quem se preocupasse com ele, aqui ele teria uma equipe que foi treinada pra isso, que organizasse a vida dele que estava totalmente atrapalhada” enfatiza ela.

Além do trabalho na Prefeitura de Marabá, Onete também atua na comunidade onde mora. Na igreja Católica ela coordena a catequese e sempre está envolvida com causas sociais da comunidade. Ela afirma que é no trabalho cristão onde consegue energia para seguir na vida profissional.

“Dentro da pastoral você se reabastece para poder trabalhar aqui com essa demanda que exige principalmente atenção, amor e carinho. Eles, os idosos, exigem isso de mim”, comenta Onete.

Trabalhos à parte, Onete ainda consegue desenvolver o papel de mãe e avó. A assistente social tem um casal de filhos adultos, já formados e duas netas. Segundo ela, vez ou outra a família tem de dividi-la com os idosos do lar, mas embora haja algum questionamento eles, acabam compreendendo a importância do trabalho para ela. “Eu fico em contato o tempo todo com o lar, sou muito envolvida”, ressalta.

Entretanto, Onete Feliz, sabe que em algum momento terá de passar a missão para frente e descansar. E a mulher Maria Onete, já tem planos e sonhos para quando esse momento chegar. Com muita simplicidade, ela diz que o maior sonho de sua vida é ter muita saúde, em seguida revelou o desejo de viajar por terras históricas e sagradas, como Jerusalém, Itália, Roma, bem como, fazer um tour pelo Brasil.

Onete, Feliz até no nome

Histórias

Por outro lado, entre os idosos acolhidos e cuidados pelo Cipiar, existem duas mulheres que se ligam à vida de Dona Onete, e uma delas é a Valdeci Maria dos Santos, 70 anos, uma mulher que tem uma história de superação.

A aposentada é natural da Bahia, onde mora toda a família, inclusive o filho Jassan, o qual não o vê desde os três anos de idade quando deixou o estado.

Valdeci lembra que ao se afastar da família, aos 19 anos de idade, buscava liberdade fugindo do preconceito de ser mulher separada. Fugiu da Bahia, com um grande amor, mas o relacionamento aqui no Pará se revelou uma ilusão que trouxe consequências por toda a vida.

Valdeci morou muitos anos no Núcleo São Félix, em Marabá, até enfrentar problemas sérios de saúde, como o câncer. Sem familiares por perto, a idosa decidiu pedir ajuda a Onete e há dois anos vive no Lar dos Idosos. Guerreira, ela vem superando os problemas de saúde e a cada dia nutre um grande e único sonho que é o de reencontrar a família que um dia deixou para trás.

“Eu quero ir pra onde minha família, eu não quero morrer distante da minha família. Esse é o meu sonho, voltar ao seio da minha família”, compartilha a aposentada.

Apesar de ter recebido uma dura lição da vida, Valdeci diz não ter se abalado. A aposentada afirma sentir vontade de voltar a trabalhar, mas sabe que primeiro precisa cuidar da saúde. Aliás, a parte da história de vida que sente orgulho em descrever, é justamente a da vida profissional. Mesmo analfabeta, ela faz questão de deixar claro que sempre trabalhou para o sustento próprio como cozinheira.

Valdeci e Onete nisso são parecidas, mulheres aguerridas, amam a família e sentem orgulho pela força que têm.

Valdeci Maria, 70 anos, acolhida no Cipiar

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Sérgio Barros

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