Professores fora de série: 25 anos de experiência e dedicação ao ensino

(23 de fevereiro de 2021)

Aos 20 anos, a professora Agleides Cordeiro Almeida fez uma escolha que norteia a vida dela até os dias de hoje. Contrariando a mãe, que sonhava com uma filha contadora ou administradora, Agleides seguiu o coração e se matriculou no curso do magistério. No fim do curso realizou o sonho: foi aprovada no concurso público e ocupou uma vaga de professora na rede municipal de ensino. Passados 25 anos, Agleides, agora com 48 anos de idade, acumula experiências na área educacional, passou por vários setores no âmbito escolar e atualmente é gestora da Escola Municipal Fé em Deus, em Morada Nova.

“Eu sou feliz no espaço em que eu trabalho. Na hora que acordo pela manhã, que ponho os pés no chão agradeço à Deus. Nem todo mundo tem a oportunidade de fazer o que gosta. Ser pago para fazer o que gosta. Quando eu entro no espaço escolar eu me realizo, eu me acho. Hoje não estou mais dentro da sala de aula, mas estou no mesmo contexto. Não me vejo em outro espaço”, descreve a educadora.

Professora Agleides, 25 anos de experiência

Quando jovem, a professora Agleides, morava em uma fazenda próxima a Vila de Murumuru e foi pela zona rural que iniciou a carreira, na Escola Rui Barbosa. Não demorou muito até que a professora se especializasse na educação com o curso de pedagogia. Mas a vida particular caminhava junto. Teve de conciliar o casamento, trabalho e estudo. O filho mais velho, de 18 anos, nasceu no mesmo ano em que ela concluía o curso superior. Logo depois veio a segunda filha, atualmente com 16 anos. Tanto amor e vocação, contagiou o marido que seguiu os passos da esposa, se formando em pedagogia e posteriormente em Letras.  

“Era muita alegria saber que estava em sala de aula, contribuindo com cada aluno. E quando o aluno conseguia ler uma palavra era uma alegria muito grande. Me senti útil naquele contexto que eu tinha sonhado na vida. Sabe o que é sentar na mesa pra almoçar e o assunto só era aluno? Ele foi convivendo com aquilo ali e acabou estudando pedagogia. Hoje é professor e trabalha na mesma área que eu” conta sorridente a professora.

O trabalho e dedicação à profissão rendeu para a professora Agléides oportunidades. A educadora atuou 10 anos em sala de aula, entre escolas de Morada Nova e Nova Marabá, atuando em turmas de 1º ao 5º ano e de 5ª a 8ª série. Além disso, contribuiu como coordenadora pedagógica até ser convidada para a gestão da escola Fé em Deus, onde, , há 6 anos, lidera uma equipe de 45 servidores e 507 alunos do primeiro segmento do ensino fundamental. O maior desafio nesses 25 anos foi superar a perda da mãe ao mesmo tempo em que precisou atuar em outras áreas da educação básica, já que a paixão dela sempre foi trabalhar com crianças menores.

“Eu me vejo dentro da escola, acompanhando o processo do aluno, do professor, podendo contribuir com o meu colega, atendendo uma mãe de aluno e quando vejo uma mãe sair satisfeita eu consegui atingir o projeto do dia. Quando chega no final do dia, olho tudo organizado, vou pra casa e faço uma avaliação, como foi ? será que consegui atingir, foi legal?”, conta a gestora.

O servidor público Ramon de Sousa Cabral, 32 anos, é um exemplo da contribuição de um bom professor na vida de uma pessoa. Ele trabalha na Fundação Casa da Cultura. O educador patrimonial, formado em ciências sociais e mestrando em História pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, foi aluno da professora Agleides, na segunda série, ainda na Escola Rui Barbosa. Ele lembra com carinho dos tempos do primário.

“Um dos meus primeiros professores foi a professora Agleides e acredito que eu tenha sido também um dos primeiros alunos dela. Ela era muito carinhosa, dedicada no trabalho e a gente guarda essa história com bastante saudosismo. Eu me recordo como se fosse hoje, foi quando eu aprendi a fazer a conta da divisão”, revela.

Ramon de Sousa Cabral

A diretora Agleides está apenas há dois anos de dar entrada no processo de aposentadoria, mas o assunto ainda não a deixa à vontade.  “Eu vivo isso. Foi isso que sonhei pra mim. O que paga essa profissão é no final do dia ver o seu trabalho completo numa ação do aluno, às vezes no olhar, ou, as vezes, no depoimento de uma mãe de que o filho aprendeu não só as disciplinas. O retorno é maravilhoso. Isso vale muito. Não tem dinheiro que pague ver que a gente fez parte da conquista daquele próximo”, diz Agleides.

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Aline Nascimento