Professores Fora de Série: Marlene Ramos Chavito e o compromisso com a educação

(26 de março de 2021)

Transformar a vida das pessoas por meio da Educação é o lema da professora Marlene Ramos Chavito, de 64 anos. Ela faz parte do time de educadores que vêm deixando marcas positivas na área educacional de Marabá. A docente, que contribuiu por 30 anos na Rede Estadual de Ensino e 12 na Rede Privada, tem feito história na Secretaria Municipal de Educação onde atua já faz 20 anos.

Professora Marlene é formada em Letras, da primeira turma da então Universidade Federal do Pará (UFPA), em Marabá. Lecionou em escolas como Alvorada e  Acy Barros, onde também desenvolveu a função de gestora. Na sala de aula, se dedicou às disciplinas de Língua Portuguesa, Redação, Literatura e Artes. Como parte de seu perfil disse que sempre buscou manter a seriedade no relacionamento com os alunos sem deixar a afetividade de lado.

“Era uma professora bastante séria, um pouco rigorosa, mas carinhosa também. Principalmente na questão de valorizar o trabalho do aluno. O que o aluno aprendeu. Naquela época, eu ainda não tinha essa visão, mas quando o aluno acertava apenas parte da atividade, eu aproveitava. Valorizava, dava nota”, relata sobre a dinâmica docente.

Como em muitos casos, a escolha da profissão teve haver com o gosto pela leitura, pela arte de ensinar e pela falta de opções de cursos na época. No entanto, ela conta que a decisão de retomar os estudos, depois de 12 anos sem frequentar a escola, mudou de vez a vida dela e de toda a família. Marlene Chavito concluiu os ensinos fundamental e médio e logo passou em concursos públicos, antes mesmo de ingressar na universidade.

“Se eu não tivesse estudado o que estaria fazendo hoje? Minha profissão hoje me ampara. Cuidei da minha casa, dos meus filhos [um casal]. E também gosto muito da profissão. Eu tive tanta sorte! Trabalhei 30 anos com aluno e nunca tive um problema sério com aluno. Eu tinha muito essa preocupação de não machucar, de não humilhar, carinho sabe. Era até uma relação de mãe, tia, avó” comenta em risos.

A dedicação, competência e amor pelo oficio levou a professora a subir degraus importantes. Não demorou muito, ela já estava coordenando os trabalhos de construção da primeira proposta curricular de ensino do município pela Semed, em 2003. Uma atividade que quase 20 anos depois voltou a fazer parte da rotina da professora. Ela novamente trabalha na equipe que atualizou o importante documento, cuja função é orientar os trabalhos dos professores em sala de aula, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

“Todo professor que é bem engajado na profissão tem um pensamento maior que a sala de aula. Você sabe que aquilo que você está fazendo vai interferir na vida do aluno e interfere na vida dele, vai interferir na vida do filho dele, da esposa dele, vai irradiando. Um espiral. A educação é o que vai te encaminhar. Eu me sinto realizada”, afirma a docente.

Ainda sobre a profissão, Marlene Chavito declara amor ao ensino e enaltece a importância do professor na vida das pessoas.

“O compromisso do professor não é com o diretor da escola, nem com a coordenadora pedagógica. O compromisso deve ser com o aluno, com a sua turma. Se você se comprometer com os alunos aí você vai fazer um bom trabalho. Vai interferir na vida toda desse aluno” afirma a professora.

A pedagoga Sandriana Rodrigues da Silva, 45 anos, teve seu destino cruzado com o da professora Marlene Chavito por várias vezes. A educadora também licenciada em Dança e atualmente servidora na Semed foi aluna de Marlene nas séries iniciais, no ginásio, no curso pré-vestibular e depois na Universidade Federal do Pará.

“Meu primeiro contato com ela foi na quarta série, anos 80. Foi maravilhoso. Ela era uma professora muito linda, carinhosa, atenciosa, inteligente. Interessante como os anos iam passando, eu mudando de fases, de nível e ela estava sempre presente” observa a ex-aluna.

Em 2005, Sandriana e a professora voltaram a se reencontrar, mas desta vez no âmbito profissional. Marlene Chavito continuava como mestre, era formadora de Língua Portuguesa na Semed, e a ex-aluna havia ingressado na docência.

“Minha primeira formadora. Tenho muitas saudades. Orientava a gente como trabalhar gêneros textuais com os nossos alunos, ortografia. Sempre que ela falava eu lembrava dela como professora”, relembra empolgada.

Já em 2019, Sandriana participou da equipe de reorganização do currículo educacional do município onde Marlene Chavito era a técnica responsável, uma experiência rica, segundo ela.

“Ela contribuiu muito pra minha vida profissional, acadêmica e também pessoal. É uma pessoa que inspira a gente. Uma professora de referência maravilhosa na relação com aluno. Cuidadosa, te abre o olhar. Uma metodologia que te leva aprender” destaca.

Sandriana Chavito (arquivo pessoal)

A aposentadoria de Marlene Chavito na rede municipal está se aproximando e ela já sente a despedida. No entanto, a professora acredita que ainda existem capítulos a escrever no livro de sua vida profissional.

“Eu já sofri, chorei, mas estou fazendo meu planejamento, quero trabalhar ainda por uns 2 anos. Estou com problema de saúde, e isso já vai me tirando. Mas acho que vai ser muito chato ficar em casa. Na sala de aula não dá, mas ajudar na orientação dos professores, na implantação da nova proposta curricular que já está pronta, de alguma forma vou contribuir”, conclui sorridente Marlene Chavito.

Texto: Leydiane Silva
Foto: Aline Nascimento