Professores fora de série: Respeito e amorosidade são a marca da professora Cléia

(18 de março de 2021)

“Eu tenho um amor pela educação, cada dia que entro na escola é como se fosse o primeiro dia, me envolvo não só como professora como um todo. Não tem coisa melhor de fazermos aquilo que gostamos”

Professora Cléia Socorro do Nascimento, 60 anos.

            Aos 60 anos de idade, a pedagoga Cléia Socorro do Nascimento Rodrigues, atualmente na função de coordenadora pedagógica, continua com todo gás pelo exercício da profissão. Dedicação e sempre estender a mão ao próximo é uma de suas principais marcas. Manauara de nascimento, mas marabaense de coração, ela já contabiliza 34 anos dedicados à educação.

            Cléia foi despertada pela arte de lecionar ainda quando criança, com as brincadeiras de escolinha quem sempre fazia o papel da professora era ela. “Mas, peguei o gosto com 15 anos, e fiz o Magistério. Sempre gostei da profissão e penso que se trata de um dom. Terminei o curso [Magistério] e comecei a trabalhar em escola particular”, lembra a pedagoga.

            Fazendo um rápido flashback, em 1981 Cléia prestou concurso do estado em Belém do Pará, e ficou exclusiva do estado à época. No estado atuou muitos anos na Escola Pedro Pinajés, em Belém, depois lecionou do 6º ao 9º ano, e também com experiência no Ensino Médio. Já atuando no estado, ela casou-se com Antônio Carlos, que em pouco tempo foi transferido para Marabá, Cleia logo o acompanhou na jornada.

            “Já passei por muitas coisas, mas nunca desisti. É dom [lecionar] e eu gosto muito. Eu cursava uma faculdade em Belém, tranquei aí vim para Marabá, fiz o vestibular e passei novamente à época, para Pedagogia. Mas antes de qualquer formação já atuava nas escolas”, ressalta ela.

Em Marabá, ela passou por várias escolas “O Pequeno Príncipe”, “Duque de Caxias”, “José Cursino de Azevedo”, “Rio Tocantins- antigo Caic” e atualmente exerce a função de coordenadora pedagógica na Escola Mirian Moreira dos Rei”, localizada na Folha 07. “As pessoas me acolhiam muito por onde eu passava”, destaca Cléia. Em 2002, começou a atuar na Prefeitura de Marabá, por meio de contrato e em 2005 tomou posse no concurso público.

Em 2006, Cléia assumiu a direção da Escola José Cursino até 2011,na época em Marabá havia apenas 3 diretoras na cidade inteira no período da noite. “Trabalhávamos e desenvolvíamos vários projetos como o FE (Festival Educativo), que consistia na apresentação de artesanato, cantores, onde alunos da própria escola atuavam, e de lá saíram vários talentos. Eu preservo a essência e considero uma grande contribuição na educação, fazendo meu papel e plantando a sementinha”, afirma a coordenadora pedagógica.

Com tanto tempo dedicado à educação, Cléia encontra muitos de seus ex-alunos, já com profissões consolidadas médicos, advogados, professores, funcionários públicos etc. Para ela, a educação é feita de altos e baixos e a perseverança tem de ser sua principal aliada, realizando sempre o melhor. “Eu tenho um amor pela educação, cada dia que entro na escola é como se fosse o primeiro dia, me envolvo não só como professora como um todo. Não tem coisa melhor do que fazermos aquilo que gostamos”, pontua.

Ingressou na Escola Mirian Moreira em 2017, de 1º ao 5º ano, atualmente na sala dela sempre compra brinquedos, como estratégia para presentear aqueles alunos melhores sucedidos nas notas. “Sempre temos cadernos, lápis, borracha, merenda, e eles se envolvem de uma maneira especial conosco. Nós precisamos fazer isso para que os alunos recorram a nós e os pais também, toda comunidade escolar. Temos uma equipe unida, fazemos projetos e festas”, relata ela. A Escola Mirian Moreira possui 430 alunos matriculados nos dois turnos, manhã e tarde.

Além do curso de Pedagogia, ela é especialista em Gestão Escolar. Começou na sala de aula, passando por todos os setores da educação. Daqui 6 anos ela se aposenta.

“Sou aquela que fala demais, mas aquela que gosta de ajudar. Graças a Deus, todos esses anos nunca sofri atentado, onde eu chego todos tem respeito por mim, trato o aluno com respeito e amorosidade. A maioria dos alunos estão numa carreira maravilhosa,” comemora a professora.

Cleia tem um filho Luis Carlos, de 23 anos, que é estudante universitário do curso de Sistema de Informação. A pedagoga teve apenas esse filho, porque dedicou sua vida quase integralmente à educação. Enquanto a mãe dela teve 12.

Hoje professora, Claudeci Bezerra foi aluna de Cleia na década de 90.

 ALUNA

A professora Claudeci Bezerra dos Santos Cabral, 54 anos, trabalha na Escola Mirian Moreira dos Santos, é colega de trabalho de Cleia e já foi aluna dela na década de 90, na Escola José Cursino. “Ela dava aula de didática, foi uma professora que eu nunca esqueci, ela sempre foi muito positiva e incentivou a gente a cada dia batalhar para chegar onde a gente deseja. Ela é maravilhosa, após esse tempo, eu dava aula em outra escola e a encontrei. Ela se interessou pelo meu trabalho e sempre que precisava me chamava e eu estava aqui [na Mirian Moreira]. Ela se dá bem com todos e sempre muito alegre”, elogia a aluna.

Texto: Emilly Coelho
Fotos: Aline Nascimento