Saúde: Caps leva arte e cultura à Praça em ação de Luta Antimanicomial

A vitalidade de Seu José de Ribamar e Maria de Fátima Rodrigues cativa qualquer um. Os dois são usuários do Centro de Assistência Psicossocial (CAPS II) e tiveram as vidas transformadas desde que foram inseridos nas atividades desenvolvidas na unidade de cuidados.

No sábado pela manhã, dia 18 de maio, eles participaram do ato público alusivo ao Dia da Luta Antimanicomial, na Praça Duque de Caxias, junto com os demais atendidos no centro e os servidores do CAPS II. “O Caps foi a solução da minha vida. Eu estava perdido, no fundo do poço. Quando cheguei lá fui bem recebido e bem tratado. Daquela porta para dentro me sinto em outra família”, conta José de Ribamar, de 54 anos.

Seu Ribamar: exemplo de superação

A programação do evento contou com cinema, apresentações culturais de música, teatro, danças folclóricas, rodas de conversas, atividade física aeróbica e a 1ª Mostra de Pinturas Terapêuticas “Nise da Silveira”, uma psiquiatra que utilizava a arte como instrumento terapêutico. Segundo a artesã Eliete Sousa, nos quadros os artistas do Caps expressaram todos os tipos de emoções, com temas livres relacionados à raiva, alegria ou medo. “A pintura é um recurso terapêutico porque trabalha as emoções, o cuidado do paciente e ele consegue expor o que sente muitas vezes não falando em uma terapia”, explica.

 

Ainda de acordo com a artesã, esse trabalho cultural busca a reinserção social deles, seja na família, no trabalho e na sociedade, através da arte e da dança, e ajuda a quebrar preconceitos. “A gente tem visto a melhora dos usuários, a autonomia. Qualquer pessoa que tem pensamento e sentimento pode desenvolver um transtorno e resolvemos trazer isso para mostrar para a sociedade e para quebrar o preconceito a respeito do que é a loucura”, avalia.

Artesã Eliete Sousa

Quem estava só sorrisos e com um look caprichado era Maria de Fátima Pereira Rodrigues, de 62 anos. Ela é usuária do CAPS há três meses e conta que reconstruiu a vida após participar dos serviços do centro. “Lá eu faço atividades, pintura, desenhos. Fui para lá transtornada e achei acolhimento. Lá é a minha família e a minha casa. Olha como estou linda, arrasando. Tomo os remédios, durmo bem, como bem”, contou toda animada.

Maria de Fátima toda linda e feliz

18 de maio

O dia da Luta Antimanicomial é uma mobilização nacional contra o internamento das pessoas em ambientes psiquiátricos. Hoje, com o advento dos CAPS – Centro de Assistência Psicossocial -, o cenário da assistência da saúde mental mudou, contribuindo para retirada dos pacientes de instituições psiquiátricas para trabalhos abertos, em residências, com atendimento de turno, multiprofissional, ligado à família e aos recursos da comunidade.

A coordenadora do CAPS II em Marabá, Adriana Tábata dos Santos deixa claro que a melhor forma de cuidar é a liberdade de ir e vir dos usuários e estarem com os familiares. “A gente veio pra praça para mostrar o nosso trabalho e como as pessoas com sofrimento mental são cuidadas hoje, que é com liberdade e cuidado”, finaliza.

Texto: Jéssika Ribeiro

Fotos: Paulo Sérgio dos Santos

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