Saúde: CAPS vai promover live pela Luta Antimanicomial, no dia 18 de maio

A live será transmitida na página do CAPS, no Facebook e contar com a participação de profissionais da sáude

Em 18 de maio é comemorado o Dia da Luta Antimanicomial. Mesmo em tempos de isolamento social o Centro de Atendimento Psicossocial de Marabá (CAPS III) não deixará a data passar em branco. Para este dia, as 17h, no Facebook do CAPS, está sendo elaborada uma live com enfermeiros, médicos e profissionais de educação física que abordarão a saúde mental e a importância de se reviver a história e reforçar a luta contra os manicômios.

A live também contará com a presença de usuários, que irão desenvolver algumas atividades ao fundo e no final apresentar o que foi produzido. “A ideia é mostrar como funciona o trabalho do CAPS, o que é realizado aqui. Por que esse trabalho é tão importante e diferente dos manicômios. Vamos desenvolver atividades terapêuticas, dinâmicas, mostrar o que os usuários desenvolvem”, explica Allan Ranieri, enfermeiro do CAPS.

 A Luta

Allan nos explica que durante um grande período da nossa história a população portadora de transtorno mental viveu em uma política de exclusão, com os manicômios sendo utilizados como forma de esconder essas pessoas. “Desde a revolução industrial as pessoas valiam o que produziam, com isso, essas acabavam sendo marginalizadas. Os manicômios foram criados para limpar a cidade. Só que nesses locais eles não recebiam tratamento adequado, acompanhamento, fiscalização. No Brasil tivemos vários e esse período ficou conhecido como holocausto brasileiro”, conta.

Com o avanço da ciência e dos direitos humanos foi se desenvolvendo também uma melhor percepção sobre esse tema. “Os profissionais da saúde perceberam que se tratava de uma doença, patologia, e que as pessoas podiam de fato melhorar. Esses profissionais começaram a se mobilizar, e construir um novo modelo, mais voltado pra convivência e aonde não fossem tirado os seus seu direitos civis, podendo inclusive voltar a serem produtivos”, reforça.

Um marco dessa luta aconteceu em 2001. Quando o Movimento da Reforma Psiquiátrica conseguiu a aprovação da Lei 10.216 que tratou da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redirecionou o modelo de assistência. Estabelecendo a  responsabilidade do Estado no desenvolvimento da política de saúde mental no Brasil, através do fechamento de hospitais psiquiátricos, abertura de novos serviços comunitários e participação social no acompanhamento de sua implementação.

Momento Atual

Allan reforça que a necessidade da luta antimanicomial no país se mostra mais necessária devido ao momento atual que o país vive, com vários retrocessos não só políticos como na mentalidade da população. “Vivemos um momento que temos tido muitos retrocessos e parte da população volta a acreditar em manicômio. Precisamos reconstruir essa imagem a gente já viu o que dá e o que não deu certo. Importante manter a história viva para não cometermos o mesmo erro.  Com tratamento adequado todos tem plena capacidade de viver em sociedade”, sublinha.

Funcionamento do Caps

Durante esse período o CAPS continua funcionando em regime especial. Não estão acontecendo grupos de trabalho ou convivência e não estão sendo feitas terapias de pessoas estáveis, que devem procurar o órgão apenas para renovação de receitas. No momento o atendimento é apenas em casos de pacientes em crise e acolhimentos de primeira vez.

Dicas para cuidar da saúde mental e como passar a quarentena com pessoas que possuam transtornos podem ser lidas aqui.

Texto: Osvaldo Henriques

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