Saúde: Casal Raimundo e Vilanir vencem juntos a Covid-19

Quando tudo isso passar, e a gente poder se abraçar, eu quero fazer um almoço de gratidão

A história de seu Raimundo Nonato Alves, 66 anos e dona Vilanir Alves, de 63, ganhou linhas marcantes, aos 45 anos de união. O casal conseguiu vencer o maior desafio já vivido, mediante a uma pandemia. Marido e mulher passaram mais de 14 dias internados, entre o Hospital Municipal de Marabá e o Hospital de Campanha, até que pudessem retornar pra casa sem risco algum.

“Somos unidos até na doença”, brinca seu Raimundo, motorista aposentado.

E foi com o seu jeito extrovertido que seu Raimundo marcou sua passagem pelo o hospital. “Eu ajudava os outros que chegavam desanimados, que não queria se alimentar. Eu falava, brincava até com os enfermeiros, técnicos e médicos”, destaca seu Raimundo.

Mas seu Raimundo lembra também que durante as crises que teve, por algum tempo o sorriso foi substituído por medo e angústia. Ele conta que nem os acidentes que sofreu ao longo da vida o assustaram tanto quanto a Covid-19.

“É uma coisa difícil. Tem momentos que você pensa que não vai voltar pra casa. Eu nunca antes tinha pedido socorro, ou tinha dito que iria morrer. Você passa por crises que acha que não vai resistir. Mas agora, graças a Deus estou 100%, destaca o aposentado.

O casal mora em casa com dois netos e os quatro moradores sentiram os sintomas da Covid. Dona Vilanir lembra que começou com uma dor de garganta e seu Raimundo apresentou dores nas costas. Apesar da idade de ambos, a preocupação maior era com dona Vilanir, que é diabética e hipertensa. No entanto o primeiro a ser levado ao hospital foi seu Raimundo. Os sintomas se agravaram para febre alta, falta de ar e cansaço.

“Com quatro dias depois eu também fui hospitalizada. O médico disse que eu estava com pneumonia. Mas ele [seu Raimundo] não sabia que eu tinha ido. Não queríamos que ele ficasse preocupado. Ele dizia pra eu me cuidar porque não queria que eu passasse por aquilo. Aí, uns quatro dias depois, eu falei que era tarde, já tava era pertinho dele internada também”, descreve a idosa.

Apesar da experiência desagradável, o simpático casal conseguiu vencer a doença e ainda ampliar o quadro de amizades. Além disso, eles conseguiram enxergar o que poucos conseguem, os profissionais por trás das máscaras e jalecos.

“Fizemos amizades com enfermeiros, médicos e o pessoal de lá. Quando tudo isso passar, e a gente poder se abraçar, eu quero fazer um almoço de gratidão. Quando os trabalhadores tiram aquela roupa, a gente vê que as pessoas são bonitas,” enfatiza dona Vilanir.

Os dois seguem recuperados e felizes por terem voltado pra casa com saúde. Além do mais, no último dia 28 de maio, juntinhos puderam celebrar mais um ano de união, que teve como frutos cinco filhos e três netos.

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Paulo Sérgio

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