Saúde: CTA/SAE mantém atendimento a portadores de HIV durante a pandemia

O Centro de Testagem e Aconselhamento / Serviço de Atendimento Especializado (CTA/SAE) de Marabá tem atualmente 2989 pacientes de HIV/AIDS cadastrados e acompanhados pelo órgão. Apesar das limitações impostas pela quarentena, o monitoramento de todos os processos necessários para o acompanhamento desses usuários, tanto na questão de consulta ambulatorial, realização de exames, carga viral e dispensação médica estão funcionando.

Ficaram suspensos, temporariamente, apenas os testes rápidos itinerantes, mas permaneceram os atendimentos para gestantes e pessoas com casos reagentes de HIV, sífilis e hepatites virais. Também estão sendo atendidos casos de início de tratamento antirretroviral e atendimento para pessoa em profilaxia pós-exposição e vítima de violência sexual. A farmácia funciona normalmente.

Serviços os quais Dona G (nome oculto para preservar a identidade da pessoa), de 63 anos, que convive há 14 anos com o vírus HIV, necessita. Ela realiza todos os serviços oferecidos pelo CTA/SAE, incluindo o atendimento psicológico e da assistente social. “Tentei me afastar do tratamento, eu ia buscar a medicação via conhecidos e tentava fugir. Elas iam buscando, conversava com a assistente social. Hoje vamos para uma reunião, participo das atividades, até para ajudar quem tiver iniciando tratamento”, comenta, destacando que é necessário se cuidar, principalmente no início, lembrando que recentemente tanto a mãe, quanto outros familiares, contraíram a covid-19, e já receberam alta.

“Sempre incentivo as pessoas para que se cuidem. Tudo no começo é mais fácil tratar. Tomem as vacinas. É do SUS, é de graça. Chego no CTA me tratam bem. Me abraçavam quando não tinham a pandemia. Só tenho a agradecer pelo serviço prestado, inclusive nessa época de quarentena”, reforça.

O único procedimento que foi suspenso durante o período quarentena foi a coleta de CD4, exame que detecta CD 4, exame que detecta célula de defesa no organismo. “São enviados para Belém e conforme o decreto as viagens deveriam ser evitadas. Por isso ficou suspenso durante esse período. Mas todo o restante foi feito. A farmácia da unidade permanece em atendimento normal, das 8h às 12 e das 13h às 17h, para atender a necessidade dos clientes que vivem com HIV”, conta Katiane Chaves de Souza, gerente do CTA/SAE de Marabá.

Katiane ressalta também que foram tomadas todas medidas de prevenção ao coronavirus, como limite máximo de 10 pessoas por espaço. Todos os profissionais estão equipados com máscaras, jalecos e toucas, e recebem orientação em relação à higienização das mãos. Um servidor está na porta do órgão, recepcionando e orientando os pacientes que higienizem as mãos na entrada. Além disso, é feita a orientação sobre tocar olhos, nariz e boca, evitar contato com pessoas doentes, cobrir boca ou nariz ao tossir e espirrar, entre outras recomendações.

Katiane Chaves – gerente do CTA/SAE

Estatísticas

O SAE/CTA tem 2.989 pacientes de HIV/AIDS cadastrados e acompanhados no momento. Este ano, até o mês de abril, houve registro de 95 novos casos HIV/AIDS cadastrados, destes 46 de Marabá, sendo 52 do sexo masculino e 42 do sexo feminino. Lembrando que esse total de quase três mil soropositivos refere-se ao acumulado (exceto óbitos) desde a época de instalação do SAE/CTA e corresponde a todos os municípios referenciados na 11ª Regional de Saúde da Secretaria de Saúde do Estado.A categoria de exposição que se destaca é a heterossexual.

Quanto às hepatites virais, existem 770 casos em acompanhamento, sendo 529 do tipo B (207 masculinos e 322 femininos) e 241 do tipo C (126 masculinos e 115 femininos). Sendo que no primeiro quadrimestre de 2020 somaram-se 11 novos casos, 10 de hepatite B (seis masculinos e quatro femininos) e um caso de hepatite C, feminino.

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Arquivo

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