Saúde: Em pleno funcionamento, SAMU realiza, em média, 500 atendimentos mensais no município

Na Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), em Marabá, quando o telefone toca, por meio da chamada 192, uma equipe inteira está preparada para atender quem solicita o atendimento. O serviço gratuito funciona 24 horas, durante o ano inteiro, sem interrupção. Em 2020, o SAMU registrou 52.409 chamadas na região de cobertura da Central de Regulação (CRR-Carajás-Samu-192), que atende 17 municípios. Só Marabá recebe uma média de 500 atendimentos mensais.

Os pedidos de socorro são das mais diversas naturezas, vão desde acidentes de trânsito a engasgo ou uma queda, mas, no ano passado, as ocorrências clínicas tiveram o maior percentual de atendimentos com 68%. Diversidade de ocorrências à parte, o profissional do SAMU é alguém preparado para atuar ainda na “escuta”, que é um dos principais pontos de atendimento do 192.

“A gente costuma dizer que o nosso carro chefe não é o envio da ambulância. Nosso carro chefe é a escuta médica, a regulação médica”, enfatiza a enfermeira Walterlice dos Santos Vieira, coordenadora geral da Central Carajás, que trabalha há 15 anos no SAMU.

Walterlice dos Santos, coord. Central Carajás

A coordenadora explica que o salvamento é iniciado na ligação, por isso, quem pede socorro deve repassar as informações com cuidado e atenção, ao falar com o telefonista. O tempo-resposta leva em média 10 minutos dentro da cidade. “Ele vai coletar primeiro os dados, como endereço, qual a necessidade desse paciente e vai passar para nossos médicos reguladores, que a partir dessa triagem vai saber que tipo de unidade deve enviar para essa chamada. Enfim, tem uma série de perguntas, protocolos, que o solicitante tem de responder, pra que a gente possa enviar unidade certa para aquele tipo de atendimento”, esclarece Walterlice.

Vale ressaltar que, na central de regulação, os profissionais atuantes são o telefonista auxiliar, RO (Rádio Operador) e o médico regulador. Em relação às ambulâncias existem dois tipos: a Unidade de Suporte Básico e a Unidade de Suporte Avançado, a UTI Móvel. Há 5 anos trabalhando no SAMU, o médico Ednaldo Pereira Araújo, coordenador local do serviço, observa que a missão de salvar vidas não é tarefa fácil, e o perfil do profissional socorrista tem de ser diferenciado.

“Na verdade é o SAMU quem escolhe as pessoas e não as pessoas que escolhem trabalhar no SAMU. Para trabalhar no 192 tem de ter um perfil não só técnico, é um profissional que gosta de ajudar as pessoas. O serviço tem muita adrenalina, então, não são todos os profissionais que se adaptam no serviço 192”, pontua.

Ednaldo Pereira, coord. Samu Marabá

Atualmente, Marabá conta com três bases do SAMU, sendo uma na Cidade Nova, uma ao lado do HMM e a terceira no bairro São Félix II. O município tem três unidades de suporte básico, que conta com um condutor socorrista e um técnico em enfermagem, além de uma unidade avançada composta por condutor socorrista, médico e enfermeiro. De acordo com Ednaldo Araújo, os profissionais têm passado por constantes treinamentos e a central tem recebido toda a estrutura para realizar o serviço de atendimento móvel de urgência no município.

Outro fator importante comemorado pelos profissionais do SAMU é a redução do número de trotes, embora os números ainda sejam grandes. Segundo informações do SAMU, a redução foi de 16%. Em 2018, foram registrados 21.319 trotes, em 2019 os números caíram para 15.868, já em 2020, a queda foi ainda maior, o registro foi de 9.820.

“Quando você faz uma ligação indevida para o 192, o trote, você acaba atrapalhando outra pessoa, que pode estar morrendo, precisando do serviço. Não faça trote para o SAMU. Um serviço que está o tempo todo salvando vidas. Às vezes a gente chega no momento mais difícil da vida de uma pessoa e quando você consegue salvar vidas, isso faz com que a gente se sinta feliz”, revela o médico.

Igualmente, a enfermeira Walterlice também enaltece a importância do serviço e fala da experiência como socorrista. “Pra mim é um estilo de vida. Não é reconhecimento financeiro e nem pessoal. No momento em que a gente vai se deparar com um atendimento, por muitas vezes, pode ser recebida por uma pessoa agressiva. Mas o que paga pra gente, é depois de você dar tudo de si para salvar uma vida, ver essa vida por aí pelas ruas da cidade”, conclui a profissional.

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Aline Nascimento