Saúde: Enquanto muitos estão em casa, os enfermeiros lutam por nós

Eles já fizeram a diferença na sua vida. Segurando sua mão quando você está assustado, acordando de madrugada para lhe medicar, trabalhando aos finais de semana para cuidar do seu filho, da sua mãe, do seu pai, do seu irmão. Todos nós já precisamos dos cuidados desses profissionais. Mais do que nunca, nesse 12 de maio, dia Mundial do Enfermeiro, a Prefeitura de Marabá parabeniza  as pessoas que se dedicam na enfermagem e agradece a todos, principalmente os enfermeiros e enfermeiras que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2).

O despertar da vida

Aos dez anos, ainda menina, Vanice Maria da Costa Silva já sabia o que queria fazer da vida. Filha de uma técnica em enfermagem, ela chora ao contar dos cuidados que via a mãe ter com desconhecidos. “Via o carinho e dedicação da minha mãe e das minhas tias com os pacientes. Todas elas eram técnicas em enfermagem. Isso mexeu comigo, me marcou e decidi que queria ajudar as pessoas da mesma forma”, conta, Vanice que hoje é a chefe de enfermagem do Hospital Materno Infantil de Marabá (HMI).

Ela já acompanhou a chegada de incontáveis marabaenses ao mundo e acompanha a evolução da profissão com o parto humanizado, com o método mamãe canguru, entre outras coisas que a enfermagem possibilita.“Dávamos a opção da mãezinha cortar o cordão umbilical. São coisas que marcam a gente e a paciente. Às vezes deixamos nossos filhos em casa e perdemos algumas coisas. Mas acabamos ganhando com o sorriso no rosto do paciente, com a presença que temos na vida dos outros’, enfatiza.

Mãe do pequeno Pietro, de 8 anos, Vanice faz questão de agradecer a equipe que está na luta todos os dias, especialmente agora, no combate à covid-19. “Estar na linha de frente desse novo vírus não é fácil para ninguém. Acabamos sendo um pouco de tudo, assistente social, psicólogo, conselheiro, os primeiros a chegar e os últimos a sair. Temos medo também, mas a nossa vontade de ajudar é maior”, sublinha.

Vanice Maria da Costa Silva

A luta contra a morte

Alguns lidam mais com o momento do nascimento, outros com os momentos mais tristes, quando a vida pode estar por um fio. Dos 40 anos de vida de Valternice dos Santos Vieira, 14 são atuando no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Marabá, onde agora coordena a equipe. “Nesses anos eu vivi muitas vidas em uma vida só, quando você olha no olho do seu paciente, se coloca no lugar dele e consegue viver aquele momento da vida por ele, com ele, é um diferencial que o pessoal da enfermagem faz o tempo todo. Você está lá do primeiro suspiro até o momento do ultimo suspiro, da morte”, relata.

Ela se formou na segunda turma de enfermagem da Universidade Estadual do Pará (UEPA) Campus Marabá e conta que a carreira é a realização de uma vida, que ficar e ajudar a cidade foi uma decisão pessoal. “Como pessoa é até difícil explicar a gratificação que eu tenho de liderar uma equipe tão significativa na vida de tantas as pessoas. Sempre tive na cabeça a ideia de que quando me formasse trabalharia pelo meu município. Passei em outros concursos. Mas minha raiz é na minha terra. Profissionalmente estou realizada, aonde nunca pensei estar. Estou liderando hoje toda uma região!”, acrescenta.

Ao concluir o relato, já com os olhos marejados, Valternice faz questão de destacar que apesar de considerar a profissão “um dom e uma paixão” não se pode esquecer que a enfermagem é estudo e técnica e que isso salva vidas. “É uma responsabilidade imensa. Não depende só do amor. Enfermagem é técnica, é estudar, saber o que está fazendo na hora certa, do jeito certo”, destaca a enfermeira, que possui especializações em urgência, emergência, auditoria, enfermagem de trabalho e enfermagem aeroespacial.

Valternice dos Santos Vieira

Atenção Básica

Mas o contato mais comum que a maioria de nós temos com os enfermeiros provavelmente acontece nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a espinha dorsal da saúde município. É lá que trabalha Andrea Rodrigues da Silva, enfermeira da UBS Demósthenes de Azevedo. Também formada em Marabá, ela conta que trabalhava com a docência e esse prazer em ter proximidade e cuidar das pessoas a levou para a enfermagem.

São nas Unidades Básicas que são realizadas as vacinas, ações de prevenção, saúde da mulher, planejamento familiar, pré-natal, curativos, inalações, etc. “Tem toda essa parte de cuidar do ser humano, do indivíduo e da família de modo integral e holístico. Tenho bastante satisfação com meu trabalho. Aqui no Demósthenes temos um trabalho voltado ao próximo, um ambiente familiar e com muita dedicação”, discorre.

Ela também se formou na UEPA, mas conta que chegou a ir embora do município, retornando após o avanço da estrutura de saúde da cidade. Hoje vive em Marabá com três filhos. “Fui para Belém, conclui um ciclo lá. Na época não tínhamos o hospital regional e nem a mesma estrutura. Todos os dias me revezo entre minha casa e meu trabalho sem nenhum problema. Com bastante dedicação e comprometimento. Quero dizer que esse momento difícil vai passar. Nossa vida está uma turbulência, mas tanto os enfermeiros quanto o restante da população sairá dessa crise com bastante aprendizado”, grifa.

Andrea Rodrigues da Silva

Saúde Mental

Além de atuar na linha de frente de hospitais e postos de saúde, a enfermagem ainda contempla várias outras áreas como saúde indígena, pediatria, assistência cirúrgica, resgate, saúde mental, entre outras como na saúde mental, área que o enfermeiro do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS III), Allan Ranieri, 29 anos, escolheu seguir por achar ainda valorizada por grande parte da sociedade.

“Eu escolhi a enfermagem pela experiência própria de precisar de ajuda. Pesquisei e vi que dava para trabalhar com isso. Algo que eu gosto e que podia ajudar outras pessoas”, conta Allan, que se formou na cidade maranhense de Imperatriz, e fez pós-graduação em saúde mental em 2016, desde então tem atuado com os pacientes do CAPS.

Morando sozinho, ele conta que a vida atualmente é toda dedicada ao trabalho. “No cenário atual as pessoas acabam precisando ainda mais dos serviços. Na psiquiatria a dificuldade é acentuada porque a gente entende a normativa de distanciamento, mas nosso manejo é corpo a corpo. Esse é provavelmente o momento mais difícil que nossa classe está enfrentando, ninguém esperava por isso, mas estamos preparados e gratos que a sociedade esteja percebendo o nosso valor”, conclui.

Allan Ranieri

Dia do Enfermeiro

O dia mundial do enfermeiro é celebrado no dia 12 de maio por ser o nascimento da britânica Florence Nightingale, que nasceu em 1820. Ela se rebelou contra o papel submisso da mulher na sociedade naquele período e decidiu tornar-se enfermeira, função que a época era realizada por freiras. Nightingale se destacou por organizar e chefiar um grupo de 38 enfermeiras voluntárias que cuidavam de soldados feridos na Guerra da Crimeia, ocorrida entre 1853 e 1856.

Nightingale também lutou ativamente na busca por melhorias nos tratamentos médicos dados aos mais necessitados e que não tinham condição de pagar pelo serviço. Fundou a Escola de Enfermagem do Hospital St. Thomas, de onde saíram às primeiras enfermeiras diplomadas do mundo. Foi pioneira na luta para dar a atividade um caráter profissional reconhecido.

“Estou convencida de que os maiores heróis são aqueles que fazem o seu dever na rotina diária de assuntos domésticos, enquanto o mundo gira de forma enlouquecedora.”

“A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, quanto a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes!”

“Viva a vida quando você a tiver. A vida é um presente maravilhoso – não há nada de pequeno nisso”

Frases de Florence Nightingale, a dama da Lâmpada.

Florence Nightingale (internet)

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Acervo pessoal dos enfermeiros

Acessibilidade