Saúde: Prefeitura começa a distribuir cestas básicas para pessoas em tratamento de hanseníase

A Prefeitura de Marabá, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), começou a entregar nessa sexta-feira (13), na Unidade Básica de Saúde Emerson Caselli, cestas básicas para as pessoas em tratamento de hanseníase do município, em acordo com o Projeto de Lei 40/19, assinado pelo Prefeito Tião Miranda, em 3 de julho. A cidade possui hoje 173 pacientes em tratamento e possui um índice de 90% de cura nos casos tratados.

A coordenadora do Departamento de Doenças Crônicas da SMS, Gisele Leite, explica que a UBS Emerson Caselli foi escolhida por ser a que possui mais profissionais do Programa Saúde da Família (PSF) e o maior número de pessoas em tratamento. Os demais pacientes devem fazer a retirada das cestas básicas na sede da Secretaria de Saúde, a partir de segunda-feira (16), munidos da carteirinha que receberam quando iniciaram o tratamento e documento de identificação.

Cada cesta básica, que tem um valor mensal de R$150,00, será garantida enquanto durar o tratamento da doença, período que costuma ser de 6 meses a 1 ano. “Muitas pessoas não têm condições financeiras e acabam abandonando o tratamento. Eles não podem pegar sol, por exemplo, então, às vezes, preferem voltar a trabalhar, do que continuar no tratamento. A cesta vem pra contemplar isso, para dar uma ajuda e garantir que continuem fazendo tratamento até o final”, detalha Gisele.

A dona de casa, Alzionete da Silva e Silva, possui um filho de 15 anos com a doença, que está há 1 ano e meio em tratamento. Ela conta que as cestas serão de grande utilidade para a família. “É uma ajuda muito grande. A gente agradece porque realmente é uma doença complicada. Que bom que tiveram essa ideia” comenta.

O aposentado José Dias, 69 anos, também foi retirar a cesta básica e aproveitou para ressaltar a iniciativa. “Estou achando ótimo, é uma grande oportunidade e ajuda que nos motiva a continuar o tratamento”, contou.

Tratamento

A identificação e o tratamento da hanseníase funcionam atualmente em todas as UBS da cidade. “Todos profissionais são capacitados para fazer a identificação e iniciar o tratamento de imediato. Todo mundo que tiver suspeita de alguma mancha deve procurar a UBS que é a porta para tudo. Temos hoje capacitações que são ofertadas a esses profissionais para que estejam cada vez mais atualizados, tanto equipe medica quanto enfermagem”, destaca Gisele Leite.

O técnico responsável pelo Setor de Epidemiologia da UBS Emerson Caselli, Luciano Machado Brito, explica que pessoas com qualquer mancha no corpo que seja sem dor e coceira deve procurar o postinho. “Será encaminhado para o setor especifico e lá, em conjunto com a equipe, avaliamos a situação e encaminhamos ao médico. O diagnóstico é essencialmente clínico, não tem exame especifico”, comenta, destacando que a primeira dosagem do remédio é feita na UBS, depois o paciente faz a medicação em casa, retornando a cada 27 dias para dosagem assistida e acompanhamento da doença.

O jovem Victor Gabriel iniciou o tratamento na UBS Emerson Caselli há 6 meses e agradece a iniciativa e cuidado dos funcionários, além da ajuda da financeira com a cesta básica. “Viemos com a família toda para se prevenir e descobrimos que eu e meu irmão tínhamos a doença. Achei muito boa a forma como fomos tratados, foi carinhoso, tiveram cuidado, teve ajuda psicológica. Isso fez a gente não temer. Agora essa iniciativa demonstra que eles têm atenção e não esqueceram de nós. Muito legal a inciativa”, comenta.

As ações de tratamento de hanseníase de Marabá foram elogiadas inclusive pela The Nippon Foundation e Sasakawa Memorial Health Foundation do Japão. A Fundação possui um projeto junto ao Ministério da Saúde que visa combater a hanseníase nas cidades brasileiras. Durante o ano uma comitiva da Fundação visitou o município para avaliar o trabalho feito pelo município. “São mais de 40 anos que trabalho com isso e é a primeira vez que vejo esse tipo de iniciativa de doação de cestas básicas. Essa atitude proativa do município nos motivou a fazer as visitas”, acrescentou o presidente da Fundação Nippon, Yohei Sasakawa.

Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Paulo Sérgio dos Santos 

 

 

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