Seaspac: Roda de conversa define ações para combater a violência contra a mulher

Também foram definidas ações para prevenir a gravidez na adolescência

A Roda de Conversa para debater os temas sobre Gravidez na Adolescência, Combate à Violência Doméstica e a Rede de Proteção de Atendimento à Mulher, Criança e de Adolescente em Marabá aconteceu na tarde desta terça-feira, (22), no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social, Proteção e Assuntos Comunitários(Seaspac). Representantes de entidades de órgãos governamentais e sociedade civil fizeram parte do encontro promovido pelo Conselho e Coordenadoria da Mulher (Condim).

Claudia Cilene Araújo, presidente do Condim, disse que o objetivo é fortalecer a Rede de Proteção com a descentralização de ações que possam chegar aos bairros da cidade, cujo cronograma foi definido no evento. “ Precisamos fazer reuniões com integrantes de associações, nas igrejas, precisamos gritar e dizer que basta e chega de violência, conversar com quem de fato precisa saber que a rede existe. Para nossas jovens, crianças e adolescentes tenham mais ações, cursos, atividades culturais, para que possam interagir e se conscientizar”, ressalta.

Cláudia Cilene Araújo, presidente do Condim

Para o juíz Alexandre Arakaki, titular da 3ª Vara Criminal da comarca de Marabá, um dos grandes problemas enfrentados no município é a violência de gênero que se apresenta de várias formas, dentre elas, a gravidez na adolescência. Para o magistrado, as rodas de conversas contribuem na conscientização de que é necessário buscar a igualdade de gênero, já que no município alguns homens ainda insistem em não respeitar os direitos das mulheres com agressões, ameaças, e muitas das vezes, até com o chamado feminicídio.

“As rodas de conversas possuem função de conscientização, de criarmos multiplicadores, pessoas que possam levar aos bairros, instituições, vizinhos, de que não se permite mais violência contra mulher. A mensagem de que homem que bate em mulher vai preso. Que Marabá é uma sociedade justa, pacífica que não atura mais homens que batem em mulheres” enfatiza o juiz.

Na 3ª Vara Criminal, os dados sobre a violência contra as mulheres são alarmantes. De acordo com Arakaki, são registradas em torno de 12 a 18 medidas protetivas por semana, ou seja, mais de uma mulher pedindo socorro por dia, observa o juiz, destacando também a eficiência da rede de proteção e da prefeitura na implementação da políticas públicas no município.No que diz respeito às crianças e aos adolescentes, apesar de se observar uma queda nos índices de gravidez na adolescência, os números continuam altos e preocupantes. Segundo a Comissão do Direito da Mulher e Juventude da Câmara Municipal de Marabá, em 2019, o Hospital Materno Infantil registrou 87 partos de meninas entre 10 a 14 anos, em 2018 foram 109 e em 2017, 103. A vereadora Priscila Veloso, presidente da comissão, disse que já existem projetos de lei para tentar combater essa realidade.

Ainda segundo a vereadora, de acordo com levantamentos feitos pela comissão, há um início muito cedo da vida sexual, por isso, estão sendo estudados na câmara projetos que possam efetivar protocolos de atendimentos nas redes de saúde e a orientação nas escolas no combate a essa problemática de gravidez precoce.

Nadjalúcia Oliveira, secretária de assistência social, disse que a roda de conversa é uma ferramenta que dá certo, porque possibilita a abertura do diálogo com importantes contribuições e estratégias para atingir o público vitimizado pela violência. “A partir do momento que você cria novos conceitos, desconstrói todo esse ciclo de violência traz efeito para toda a sociedade. Os adolescentes precisam também ser trabalhados, porque são os futuros homens [adultos], e vão continuar o ciclo de violência senão forem trabalhados a tempo”, observa a secretária.

Outro fator destacado pela secretária é o preconceito da sociedade. Para ela é preciso mudar o pensamento, pois há muita subjetividade por trás de um caso de violência doméstica, citando a dependência financeira da mulher com o marido, entre outras situações que são viabilizadas  com atendimentos especializados em órgãos e entidades como a Coordenadoria da Mulher e o Parápaz. Na Seaspac, por exemplo, toda semana há registros de mulheres vítimas da violência  pedindo assistência no aluguel social.

Nadjalucia Oliveira, titular da Seaspac

Texto: Leydiane Silva
Fotos: Paulo Sérgio

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