Semed: Departamento de Educação Especial promove inclusão na rede municipal de ensino

Em média, 790 alunos recebem atendimento especializado em salas de recursos. A quantidade maior de alunos atendidos possui deficiência intelectual

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço de apoio para alunos com deficiência. A Semed (Secretaria Municipal de Educação), possui um Departamento de Educação Especial em pleno funcionamento, que auxilia 35 escolas das zonas urbana e rural, por meio das salas de recursos multifuncionais. O objetivo é fazer com que a inclusão de fato aconteça, uma vez que, os professores dessas salas específicas auxiliam os educadores do ensino regular na adaptação do conteúdo, criação de estratégias para ensinar e avaliar o público-alvo.

Segundo a coordenadora do Departamento de Educação Especial Arley Novais de Oliveira, pós-graduada em Educação Especial Inclusiva e Gestão Escolar, das 35 escolas que possuem salas de recursos multifuncionais, 31 estão localizadas na área urbana e quatro são localizadas no Campo. “As escolas que não dispõe de sala de recursos, o aluno não fica sem o atendimento, ele é encaminhado para a escola mais próxima”, explicou.

Victor Kauan e Emelly Vitória fazendo releitura de uma obra de Tarsila do Amaral

Público-alvo

A partir do relatório de observação dos professores do ensino comum, ao perceber que o aluno apresenta alguma suspeita de deficiência, a Semed entra em cena com uma equipe multidisciplinar no Departamento de Educação Especial, composta por psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo e assistente social. Os profissionais vão até a escola para fazer a triagem, para identificar se o aluno é perfil ou não da Educação Especial.

“Com base na identificação é que o aluno é encaminhado para a sala de recursos, e para outros encaminhamentos, porque, às vezes, a equipe detecta que aquele aluno tem deficiência, mas não tem laudo. Ele é encaminhado também para outros atendimentos na saúde, a falta do laudo não vai inviabilizar esse atendimento na educação”, disse Arley Novais, complementando que o laudo, geralmente, é a porta de entrada para outros direitos garantidos só com essa documentação médica.

Arley Novais, coordenadora do Departamento de Educação Especial “O professor da sala de recurso é o principal agente responsável por essa interface com o professor do Ensino Comum”

O público-alvo da Educação Especial é composto pelo aluno com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual, TEA – Transtorno do Espectro Autista, e os alunos com altas habilidades e super dotação). Hoje a quantidade maior de alunos, 30% a 40%, atendidos nas salas de recursos possui deficiência intelectual.

A coordenadora do Departamento de Educação Especial explica que a sala de recurso é um atendimento educacional especializado, um trabalho diferenciado que é feito no contraturno escolar, cuja exigência da obrigatoriedade é que o aluno esteja matriculado no ensino comum.

“Esse trabalho que é feito na sala de recurso é visando garantir as especificidades daquele aluno, para que ele consiga avançar. Eu tenho de entender qual especificidade do meu aluno para realizar o planejamento. Talvez seja preciso fazer a avaliação oral, suprimir um conteúdo, e assim por diante. Mas, eu só posso fazer adaptação quando eu conheço o aluno”, deixou claro a coordenadora da Educação Especial.

Formação

Atualmente há 60 professores das salas de recursos que recebem capacitação a cada dois meses. Mas, além da formação desses profissionais, o Departamento de Educação Especial tem inserido os professores de sala comum nessas capacitações. Esse ano, a Semed promoveu a semana pedagógica, onde toda rede tratou da Educação Especial. No mês de abril,  foi realizada reunião com todos os formadores da Semed, com abordagem sobre a Educação Especial, tratando assuntos como a especificidade do público-alvo, planejamento e formação da sala de recurso.

“O professor da sala de recurso é o principal agente responsável por essa interface com o professor do Ensino Comum. Em todas as reuniões pedagógicas procuramos trazer a pauta da Educação Especial, para ser tratada com o professor do ensino comum”, pontuou a coordenadora.

Os alunos da rede pública municipal que possuem deficiência visual geralmente são atendidos no CAP (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual), já os deficientes auditivos no CAES (Centro de Atendimento Especializado na Área da Surdez).

Sala de Recursos

A mais recente sala de recursos aberta da rede está localizada na Escola “Francisco de Souza Ramos”, no Bairro Novo Horizonte. A caçula das salas de apoio, foi criada em fevereiro deste ano, devido um remanejamento do NEI Cora Coralina, que possuía pouca demanda de atendimento. Lá são atendidos 23 alunos com Deficiência Intelectual (DI), Deficiências Múltiplas, Síndrome de Down, com paralisia cerebral e altas habilidades.

Joseane Maria Santos Soares, pós-graduada em Educação Inclusiva e graduanda em Letras Libras, é uma das professoras da sala de recursos da “Francisco de Souza Ramos”. “O nosso trabalho é muito importante para o desenvolvimento da criança no contraturno, o atendimento educacional especializado vai trabalhar com a necessidade de cada aluno para suprir a especificidade de cada um. Há alguns casos que chegam e temos de fazer um estudo, desde a triagem até a observação, fazendo atividade diversificada com esse aluno”, detalha.

Professora Joseane Maria, da Sala de Recursos, fala da importância do atendimento especializado

Para a docente, a comunidade já sabe a importância da sala de recursos, porque os pais estão trazendo as crianças com boa frequência. “Na rede particular não tem sala de recursos, e uma consulta chega até 1.800 reais dependendo da especialidade. Os pais valorizam e estamos tendo um bom retorno”, declara.

De acordo com Joseane Maria é nítido os avanços, tanto no comportamento como na aprendizagem dos alunos. Há também estagiários disponibilizados pela Semed na sala comum para auxiliar alunos com deficiência. Rosângela Barbosa de Sá Santos, pós-graduada em psicopedagogia, também trabalha na mesma sala de recursos. Ela acredita que é necessário que a inclusão realmente aconteça.

“Porque só garantir a matrícula não é o suficiente, fazer com que ele [aluno] tenha acesso ao conteúdo. Devemos também garantir um número de alunos adequado dentro da sala de aula para fazer de fato acontecer a inclusão, saber de que forma a escola vem trabalhando, através do Projeto Político Pedagógico garantindo o acesso desse aluno”, frisou.

Professora Rosângela afirma que é necessário haver a inclusão em todos os sentidos

Texto: Emilly Coelho

Fotos: Paulo Sérgio

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