Cultura: Com tema “Encantarias”, Splendor Junino vai reproduzir lendas do Marajó
A segunda agremiação junina mais antiga em atividade está ansiosa para se apresentar no 37º Festejo Junino de Marabá. Com 26 anos de história, a Junina Splendor prepara um verdadeiro espetáculo de coreografias, vestimentas e muita música. Este ano, o tema escolhido foi baseado no livro de Zeneida Lima, “O mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó”. A obra relata a história de Auí e seu povo, que foram criados quando tudo era água e foram proibidos pelo Girador (Deus) de olhar para o fundo de um redemoinho, onde havia o barro, material do qual o Girador era feito. Mas um certo dia, Auí mergulhou no redemoinho e, com isso, provocou um grande desequilíbrio: liberou o resto da natureza (Anhangá), que habitava o fundo das águas e fez aflorar para a superfície da terra o que havia embaixo do mar, formando a terra firme. Auí e seu povo foram transformados em energias que passaram a habitar o fundo das águas, os Encantados ou Caruanas, daí o nome “Encantarias”.
O fundador e marcador da junina, Jean Souza, explica o enredo de Encantarias.
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“É uma história linda de se ver e contar, pois é baseada na história real da pajé Zeneida Lima, que teve acesso ao sobrenatural e desenvolveu o dom da cura. Além disso, essa história já foi representada pela Escola de Samba Beija-Flor em 1998, campeã na época. Estamos com bastante expectativa, com todos os personagens como a pajé, que será nossa rainha, contando toda a história, além de diversas caruanas no enredo, caruanas cobras, caruanas borboletas, caruanas auís, dentre outros”, explica o marcador, que vai retratar o pajé que realiza a cura da pajé Zeneida Lima, baseando-se na história.
Para desenvolver um tema tão rico da melhor forma, a junina tem a colaboração de profissionais dedicados, como o coreógrafo Fábio Barbosa, professor de dança. Segundo ele, o projeto exigiu bastante concentração e estudo antes de colocá-lo em prática.
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“Eu chego, analiso, faço as adaptações necessárias e por fim, a apresentação artística oficial da junina. O tema do grupo é um prato cheio para qualquer artista. É um projeto riquíssimo, que fala de lendas regionais, misticismo. A leitura coreográfica será totalmente em detrimento do tema, com a história da Pajé Zeneida, que foi visitar o mundo espiritual e outros personagens importantes da história”, destaca.
Atualmente, 16 pares integram a Junina Splendor. Ramile Azevedo, noiva na Junina desde 2019, já coleciona 18 anos de muita experiência e relembra os títulos que já trouxe para a Splendor.
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“Já está no sangue porque eu amo muito tudo isso aqui. Em 2019, conquistei o primeiro lugar como melhor noiva. Em 2020 veio a pandemia, mas participamos de forma online e também ganhei pódio. Em 2022, em segundo, e ano passado, em terceiro. É uma satisfação tudo isso e confesso que eu já me acostumei um pouquinho, mas ainda há aquela preocupação em fazer o mais perfeito possível e querendo ou não, a gente se torna uma referência aos demais e isso nos propõe mais responsabilidade”, conta.
O sentimento também é compartilhado pelo noivo Alex Neves, integrante na Splendor desde 2016 e noivo desde 2022.
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“A princípio, quando eu recebi o convite, acabei recusando, mas com o tempo eu decidi aceitar e passei a gostar e não largo mais esse papel. Para mim, é um prazer enorme carregar essa responsabilidade e a minha expectativa é das melhores, pois estamos nos esforçando bastante para levar o máximo de nós no Festejo”, afirma.
O grupo
A história da “Splendor Junino” começou com uma brincadeira de 3 amigos que amavam o São João e resolveram criá-la em 12 de março de 1997, no Bairro Francisco Coelho, Marabá Pioneira. Na época, o grupo iniciou como quadrilha alegórica e somente anos depois alternou para a categoria estilizada, a mais comum entre as juninas. Desde o primeiro ano, a Splendor participa das eliminatórias do Festejo Junino de Marabá.
Por meio da arte, cultura e lazer, a agremiação ajuda a socializar crianças e adolescentes e evitar problemas sociais. O grupo já conquistou vários títulos em concursos estaduais e regionais.
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Texto: Sávio Calvo
Fotos: Paulo Sérgio